O Cinco de ontem trouxe um link para uma notícia de que a Anthropic atualizou sua política de uso para proibir “comportamentos abusivos ou cruéis, contínuos e desnecessários”. A regra vale apenas para casos extremos e repetidos, e o Claude pode encerrar a conversa quando detectar tais comportamentos. É importante ressaltar que essa regra não trata do uso do Claude para maltratar alguém — o protegido é o próprio Claude.
A atitude da Anthropic com os seus modelos não é nova. Em janeiro a empresa havia publicado uma "constituição" para o Claude. É um documento que, segundo ela, foi escrito “principalmente para o Claude” e funciona como autoridade final sobre seu comportamento. O texto discorre sobre valores, identidade, segurança psicológica, o senso do modelo "sobre si mesmo" e o seu "bem-estar". Lá pelo fim do documento a Anthropic chega ao cúmulo de pedir desculpas caso o Claude realmente sofra e a empresa esteja lhe causando algum dano.
Digamos que a sua torradeira e a sua batedeira não tenham uma constituição nem uma proteção contra maus-tratos. Se alguém passa a tarde insultando eletrodomésticos, é possível que o problema esteja na pessoa e no modo como ela escolheu passar a sua tarde. Isso não quer dizer que os eletrodomésticos foram traumatizados.
Riccardo Mori resumiu bem o problema: quando um chatbot diz algo que parece inteligente, enxergar uma inteligência ali é pareidolia. “Você está vendo um rosto no céu - é apenas uma formação de nuvens.” A Anthropic realmente acredita ter visto um rosto ali. Escreveu uma constituição inteira para uma ilusão e agora a protege de maus-tratos. Mas continua sendo uma nuvem.