A entrevista com David Robinson, que trabalhava com a segurança dos modelos da OpenAI e decidiu sair da empresa por não concordar com seus métodos, expôs um problema inerente à indústria de tecnologia e aos seus líderes. De modo geral, os valores investidos pelos capitalistas de risco e seus fundos (VCs) fazem com que o que realmente importe nessas empresas seja o retorno potencial numa oferta pública inicial (IPO), e não quaisquer outras considerações "menores", como a segurança dos usuários ou os danos que o produto pode causar.
Os líderes da maioria das empresas de tecnologia percebem os investimentos como uma validação de si mesmos e não entendem conceitos como empatia ou responsabilidade social. Isso aparece no relato do ativista Arturo Béjar, que trabalhou com Mark Zuckerberg no Facebook durante oito anos e atualmente luta para proteger menores dos malefícios das redes sociais:
Não dava para dizer ao Mark algo como: "Olha, temos que fazer algo para evitar suicídios porque é a coisa certa a ser feita." Tudo precisava ser colocado em números. Essa era a língua dele. Era como ele se relacionava com as coisas e é também o que está por trás de toda essa dor no mundo atual. (...) Não me lembro de ele demonstrar qualquer empatia pelo sofrimento de uma pessoa e querer melhorar as coisas... ele só queria vencer.
A prioridade é sempre crescer. O modo não importa. Compaixão e responsabilidade são para os fracos.