O Muse, novo assistente de inteligência artificial da Meta, tem um avatar padrão que se parece com um esquimó fofinho e vem batizado com o nome "Jolly", que em tradução livre é algo como "Felizinho". Ele é uma espécie de personificação da missão central da Meta de saber absolutamente tudo sobre o usuário. Ele pede acesso a e-mails, calendário, mensagens, contas bancárias e dados de saúde para marcar compromissos e fazer compras, entre outros supostos atrativos. Ou, como diz a primeira mensagem na página que o vende, "para resolver as coisas".
Uma reportagem da Wired encontrou nas instruções do Muse uma ordem para criar “uma página para cada pessoa na vida do usuário”. As páginas seriam atualizadas de hora em hora com fatos, histórias, assuntos pendentes e avaliações sobre a relação entre aquela pessoa e o usuário.
Tudo isso já seria preocupante com uma segurança de dados impecável. Não parece ser o caso. Um pesquisador encontrou uma falha que permitia a um aplicativo malicioso redirecionar a transcrição de voz, obter o token de autenticação da conta e assumir o controle do Muse. O invasor passava então a usar as permissões concedidas ao assistente. A Meta corrigiu a falha depois da publicação reportagem.
Mesmo antes do lançamento, a 404 Media apurou que engenheiros da Meta já corriam para corrigir vulnerabilidades e que certas proteções foram improvisadas para não atrasar o produto. Ou seja, o Muse pede a vida inteira do usuário, monta dossiês sobre quem nunca aceitou usá-lo e chega ao mercado com uma segurança de dados no mínimo duvidosa. A empresa chama isso de assistente pessoal. Os dados prestam assistência ao modelo de negócios da Meta. Quem entra com a parte pessoal somos nós.